Tuesday, 19 August 2014

Curtinho

O sol não brilha hoje nas terras do norte, nuvens voam como abutres
por cima desta carcaça que é a cidade Londrina.
Os anos passaram depressa como se hoje tivesse acordado do
sonho que foi a mocidade e essa tivesse deixado o seu
perfume doce nos quartos da memória. Ainda há tempo para viver,
há sempre mais tempo. Até não haver mais!
As árvores abanam docemente ao sabor do vento frio que sopra lá
fora, alheias ao clima ao transito às guerras à fome, enfim às
tragédias que assaltam esta nossa existência humana. Quero ser árvore
na minha próxima materialização. Já preenchi o requerimento no
departamento de vocação e estou a espera de resposta.
Quero uma existência calma sem grandes expectativas nem grandes surpresas,
quero apenas existir, se possível à beira dum lago ou de um riacho com espaço para
crescer e simplesmente estender a minha visão ao máximo e contemplar a
beleza que nos rodeia a todo o instante. No verão dar fruto sem apego e sem cobrança,
dar abrigo e descanso a quem precisa, sentir a chuva com todo o meu ser
sem ter de procurar abrigo, deixar as minhas folhas voarem ao vento,
saber que nada me pertence e ao mesmo tempo saber que se pertence a tudo,
e à noite no meio da escuridão dos campos poder ver o céu e as estrelas em todo
o seu esplendor e testemunhar a dança cósmica que a terra interpreta pelo espaço.

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