Wednesday, 27 August 2014

Prosema

As ruas desta cidade por vezes são tenebrosas, 
não só pelo aspecto físico mas pelo que nelas vagueia. 
O medo rasteja deixando náusea no ar e um trilho asqueroso no chão. 
Sensações que me percorrem o corpo e 
levantam-me o pelo eriçando-o e deixando-me pronto para o ataque. 
O animal que veste a minha pele sente-se ameaçado e rosna. 
Há perigo no ar, cheira a sangue por derramar, 
e há uma luta que começa-se a desenrolar, 
o medo mostra as suas garras afiadas e atira-se a minha cara golpeando-me o queixo,
rebolamos no chão do meu estômago, 
empurrando-nos um ao outro contra as paredes do plexo solar, 
o cérebro vomita 20 mil imagens por segundo, 
ofuscando-me a visão e sinto as minhas costas profundamente arranhadas, 
todas as minhas ideias e convicções ameaçadas, 
transpiro por todos os poros, agua, sal e sangue cobrem-me dos pés à cabeça. 
Jazo no chão, cuspindo fogo de ira plutónica, olhos esgazeados, 
fera ferida que convalesce e puxo do fundo das mais negras entranhas um rugido roco e penetrante, um mini sismo estonteante, e tudo faz-se pó.

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