Wednesday, 4 March 2015

Beijos


Em meu peito
Trago beijos.
Os mais novos, 
Rebeldes, 
Ardem em fogo rápido.
Sorrateiros
Sobem pelas paredes 
Do meu tronco até à boca, 
E dos meus lábios saltam
Para morrer noutras peles
De paixão pouca.

Os maduros, esses não,
São como brasas de carvão.

Lenta e pacientemente
Sustentam a sua temperatura
Rápido vão do morno à quentura
Voltando sempre à sua forma consistente

E agora diz-me:
Quantas marés a lua já orquestrou,
Quantos namoros já banhou com seu luar?
E a boca, quanta saliva já gastou
Para que a estes beijos um lar pudesse encontrar?