Wednesday, 2 September 2015

Ferrolhos


Religião aborrece-me

Prende-me a mente na náusea
E cai em mim uma tristeza
Perante uma tal frieza
Que esconde a nossa coroa áurea.

O espaço constelado 
Que irradia de um rosto
É de súbito condenado,
À chave trancado
Num quarto sagrado
E queimado por fogo posto.

Nesses discursos mórbidos,
Sopros de mofo, verbos apodrecidos
Nados mortos de ventres embriagados  
Por cegueira fustigados,
Nadam sanguessugas fantasma
Que de células fazem ostras
Banqueteando-se de citoplasma
Sugam cor, sugam seiva
Sugam o fruto da leiva.

Olho para os fundos dos meus olhos
Onde bóiam estrelas e planetas
Crianças cósmicas, luzes aos molhos
Mil tons em mil paletas.
Abram a alma, soltem os ferrolhos,
Vivam e deixem-se de tretas!








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