Wednesday, 29 June 2016

Fendas

Diz-me lá, oh tela animada!
Que segredos hoje desvendas
Onde me levas, por que estrada?
Quero mitos, quero lendas.
A vida que vivo, desapegada,
Grita por dentro, corre nas fendas
Fundas da carne embriagada
Pelo barulho pelas contendas.
Conta-me o conto de fada
Enquanto ponho as minhas vendas,
Não vá a mente enganada
Germinar tormentas,
Porque, às vezes, de vista tapada
Antecipam-se prendas.
Já cai a noite aveludada
E nas estrelas leio as legendas
De uma só caminhada
Sem mal sem reprimendas
E a fé outrora apunhalada
Emerge por entre águas horrendas.







Monday, 13 June 2016

Peço morte

Peço morte ao que sou
Como quem pede clemência
Que o vento varra tudo o que ficou
Desta vaga existência

E nú ao mundo retorno
Desta vez já não me visto
Não jogo o jogo do suborno
Que me leve o imprevisto

Toda a certeza
Gira nas rodas da razão
E é de sua natureza
Estar um passo à frente,
Do alcance da mão

Não quero nada
Para nada ter com que regatear
A fronteira do não ter acaba
Às portas do meu olhar.

Há sol, há lua,
Há o meu respirar,
Há aquilo que flutua
No silêncio a embalar.