Wednesday, 10 August 2016

A puta da minha vida

Hoje doi-me o peito.
Algo força a saída,
Por nada ter feito
Com a luz reprimida

Castigo o qual aceito
Por guardar a voz escondida,
Fiz a cama em que me deito
Com a puta da minha vida.

E os meus olhos congelados
Pelo frio da companhia
São como rios barrados,
Gado à espera de serventia.

A lua brilha, quebrada
Por entre o gás negro que passa,
E o seu feixe é facada
Que ao meu corpo trespassa.

E só com sangue que jorra
Do golpe iluminado,
Escreveria eu a porra
Deste poema enfeitiçado.