Tuesday, 18 April 2017

Sinto tudo





Eu sinto tudo em meu redor
Cada voz, cada tom, cada pormenor, 
Fecho os olhos para não ter que ver
As palavras que os teus gestos mudos me querem dizer.

Tudo penetra-me a pele,
Um mero suspiro por vezes sabe a fel,
Um sorriso a orgasmo disfarçado.
Viajo ao infinito num olhar mais demorado.

Uso o silêncio como um casaco de capa grossa,
Com medo, nem sei, se da minha fraqueza, se da minha força.
Vivo melhor, dentro da minha mente alada,
Não gosto daquele tipo de vida já empacotada.

No nascer, nesse estranho acto, 
A queda dos céus, o golpe fundo, o rapto.
A dor à qual fui condenado,
Mostra-me, afinal, que nunca estive separado.

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